segunda-feira, 16 de abril de 2012

Saberes Docentes

Olá pessoal...
Depois de ter lido o texto "Os professores diante do saber : esboço de uma problemática docente", de Maurice Tardif, me peguei pensando sobre algumas questões que são, no mínimo, curiosas, e gostaria de dividir com a turma. Ressalvo que, exceto nos momentos que conceituo os saberes, as opiniões aqui expressas são de minha autoria.
O texto começa falando que os saberes docentes são pluralizados, que não provém do mesmo tipo de  "aprendizagem". Para o autor há quatro tipos de saberes que dão origem ao "saber  docente total", são eles: saberes da formação profissional, saberes disciplinares, saberes curriculares e saberes experienciais.
Os saberes da formação profissional seriam os que adquirimos na graduação, pós graduação e demais cursos de formação. No caso de nós professores, as teorias e metodologias de aprendizagem, poderiam ser consideradas como parte desse saber. Pois, é nos ambientes de ensino superior que aprendemos sobre os teóricos e estudiosos da educação e do ensino especifico das áreas.Muito raramente alguém que não tenha contato com estes ambientes saberá mais profundamente conceitos especifícos ou mesmo os conhecerá.
Os saberes disciplinares, dizem respeito as especificidades de cada disciplina. No meu caso, sendo uma futura professora de Física, meus saberes disciplinares são compostos pelas matérias de física ( mecânica, eletromagnetismo, física moderna, etc...) e pela história, filosofia e epistemologia da ciência. Essa última parte pode gerar desconforto em alguns leitores deste texto, mas como me proponho a expor uma ideia pessoal, não acho que deva ser julgada sem antes lerem a próxima linha. Para a escritora que vos escreve, um bom professor de qualquer disciplina deve ter a história e filosofia de sua área como algo intrinseco a seu aprendizado, pois só o conteúdo pelo conteúdo, esvazia a aula e torna o mais interessante dos assuntos  algo monótono e sem cor. Numa era em que lutamos para "animar" os alunos para os estudos, acredito que devemos, não apenas criticar essa situação, mas repensar o dever e saber do professor, bem como sua prática e metodologias. Para tanto devemos estar a par do fato de que cada disciplina não é uma gaveta, que podemos abrir usar seu conteúdo e guardar no fim, mas que as disciplinas sobrevivem e convivem conjuntas, indissociáveis. Bem já falei demais sobre este saber, passemos para o próximo...
Os saberes curriculares dizem respeito a imposição de conteúdos de cada escola. Esta imposição é trazida através do programa escolar, que imputa objetivo, metodologia e conteúdos a serem dados. De uma forma mais abrangente o PCN e PCNEM das áreas poderiam ser trazidos como saberes curriculares. Mas cabe ao professor questionar e se posicionar perante essa imposição. Será que isso vale para mim e para minha turma? Será que a minha realidade condiz com o que eles estão pregando?
Bem para responder as perguntas acima, recorro ao último saber citado por Tardif , o saber experencial, que deriva das experiências vividas pelo docente. Esses saberes são essenciais e conseguem dialogar com os demais. São esses saberes  experenciais que permitem ao professor escolher qual metodologia caberá para sua turma, bem como, quais conteúdos são essenciais e qual abordagem deve ser tomada. Ninguém aprende uma profissão sem atuar, podemos ficar muitos anos dentro da academia fazendo leituras e discutindo sobre meios de melhorar a educação e a prática docente, mas só quem esta vivenciando isso, ou teve algum tipo de acesso a escola, poderá de fato construir algo que seja modificador de uma realidade; mesmo que seja uma realidade local. A experiência também nos dá suporte para criticar práticas imputadas e decisões que vem dos orgãos  governamentais e chegam até a escola como "lei".
De fato todos os saberes acima citados compõe o saber docente, e não é possível imaginar um professor que, em maior ou menor grau, não os possua. Mas devemos tomar cuidado para não dar valor excessivo a um e esquecer outros. Um professor que sabe muito de sua disciplina, mas não conhece metodologias e não possui experiência, se torna enfadonho. Bem como, um professor que sabe muito de metologia, mas desconhece sua disciplina se torna mero "animador de torcidas"!!!
Por hoje era isso...

Com carinho

Um comentário:

  1. Oi Josiane,
    bem claras tuas ideias sobre o texto, obrigada por dividi-las conosco! Concordo com a tua opinião pessoal de que o professor pode se debruçar sobre o conteúdo específico de sua matéria, mas se relacioná-lo com a realidade do aluno (história/filosofia) tudo fará mais sentido e será muito melhor aproveitado.

    Abraços, Anelise.

    ResponderExcluir